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Francisco agradeceu ao jornalista Javier Martínez Brocal pela foto e brincou sobre “dificuldade” de não poder mais andar pelas ruas

Da redação, com Vatican News

Papa saindo da loja Stereosound, em Roma/ Foto: Reprodução Javier – Rome Reportes

“O que mais sinto falta nesta Diocese (de Roma) é de não poder mais andar pelas ruas, como fazia em Buenos Aires, andando de uma paróquia para outra”. Uma confidência expressa desde o início de seu pontificado e que o Papa Francisco agora repete em uma carta ao jornalista espanhol Javier Martínez Brocal.

Martínez é o diretor do Rome Reports que, no último dia 11 de janeiro, estava passando em torno do Pantheon no centro de Roma, e fotografou o Papa deixando Stereosound, a loja de discos cujos donos ele conhece desde o tempo em que era arcebispo de Buenos Aires.

A foto em preto e branco do Pontífice na entrada da chamada “discoteca Pantheon” – como os romanos chamam a loja -, com um disco de música clássica debaixo do braço – dado a ele pela proprietária da loja, Letizia Giostra, e sua filha Tiziana, tornou-se viral nas redes sociais em poucos minutos, e foi replicada por sites do mundo inteiro.

Humor e vocação

Brocal escreveu ao Papa para dizer-lhe que lamentava que ele, um amante da liberdade, fosse obrigado a ficar dentro de casa porque cada vez que saia, era pego por uma câmera. Mas acrescentou que notícias como estas das saídas imprevistas do Papa conseguem nos fazer sorrir em um momento em que só falamos de tragédias.

Francisco agradeceu por este “nobre e belíssimo” post. Ao mesmo tempo, acrescentou na carta, “não se pode negar que foi uma ‘falta de sorte’ que, depois de tomar todas as precauções, havia um jornalista esperando por uma pessoa na praça de táxi”. Escreveu o Papa em tom de brincadeira, como ele deixou claro logo em seguida na missiva: “Não devemos perder nosso senso de humor”. O Pontífice encorajou, ademais, a se “cumprir a vocação própria” do jornalista “mesmo que isso signifique colocar o Papa em dificuldade”.

Uma visita “humana”

O Papa Francisco  tinha ido à loja de música no coração de Roma no final da tarde da última terça-feira para abençoar as instalações recentemente reformadas. Durante cerca de dez minutos, ele falou com os proprietários, conhecidos de longa data desde o tempo em que se hospedava, como arcebispo de Buenos Aires, na Casa do Clero, na Via della Scrofa. Foi uma visita “belíssima” e “humana”, como relatou a proprietária da loja.

A saudade de sair pelas ruas

Desde o início de seu pontificado, Francisco revelou a saudade de circular livremente pela cidade como estava acostumado a fazer na metrópole porteña, onde também usava habitualmente o transporte público. “Sinto saudades de sair às ruas, isto sim eu desejo, a tranquilidade de andar na rua, ou ir a uma pizzaria para comer uma boa pizza… Sempre fui ‘da rua’”, revelou ao jornal argentino La voz del pueblo em 2015. E dois anos depois, em 2017, entrevistado pela Scarp de tenis, uma revista dos sem-teto de Milão apoiada pela Caritas, ele repetiu: “Só me falta uma coisa: a possibilidade de sair e andar pelas ruas. Eu gosto de visitar paróquias e encontrar as pessoas”. Um conceito que ele repetiu numa recente entrevista à rádio espanhola Cope.

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