Usar a mídia para construir e fortalecer o bem comum, exorta Papa

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Francisco divulgou uma mensagem em sua conta no Twitter sobre o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

Da redação, com Vatican News

Papa Francisco/ Foto: Daniel Ibáñez – CNA

“Usemos todos os instrumentos que temos, especialmente o poderoso instrumento da mídia, para construir e fortalecer o bem comum.”

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É o que escreveu o Papa Francisco em sua conta @pontifex no Twitter. A mensagem foi divulgada por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A data foi celebrada pelas Nações Unidas nesta segunda-feira, 3.

O convite de Francisco é o de comprometer-se a utilizar os meios de comunicação para a paz.

O impacto da informação sobre a pandemia

O tema do dia é: “a informação como bem público”. Segundo a Unesco, ele “é de relevância urgente para todos os países do mundo”.

Segundo o organismo, é preciso reconhecer “a mudança que o sistema de comunicação está causando em nossa saúde”. A mudança também ocorre “nos direitos humanos, nas democracias e desenvolvimento sustentável”.

Jornalismo é a vacina contra a infodemia

“Em tempos da Covid-19, é mais claro do que nunca que o acesso às informações confiáveis pode ser uma questão de vida ou morte. No entanto, a crônica se tornou uma odisseia cotidiana. O jornalismo é a vacina contra a infodemia, (ou seja, a circulação de uma quantidade excessiva de informações, às vezes não cuidadosamente verificadas, ndr). Vamos protegê-lo”, escreveu o Serviço de Ação Externa da União Europeia.

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O jornalismo é a “vacina principal” contra a desinformação, reitera o último relatório dos Repórteres sem Fronteiras. O documento mostra que em mais de 130 países a imprensa está “total ou parcialmente bloqueada”.

Ruffini: todos nós somos responsáveis pelo que comunicamos

O prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, falou sobre o tema “informação como bem público” à Rádio Vaticano.

Ruffini: Dizer que a informação é um bem público significa que nós somos o que comunicamos. Diz-se que a informação é poder, porque com base nas informações que recebemos e compartilhamos, formamos opiniões, e se as informações não são livres e não são controladas, o bem público de compartilhar a verdade se perde.

É claro que não há verdade se não há liberdade, e não há liberdade se não há responsabilidade. Dizer que a informação é um bem público significa que todos nós estamos, de alguma forma, envolvidos em garantir que haja informação plural, mas também que a informação baseia-se na construção de um valor comum, de um bem comum, que é dado pela verdade das coisas que compartilhamos.

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Garantir a liberdade de imprensa significa garantir um sistema onde há liberdade. Claro que há também a liberdade de cometer erros, mas o que nos une é o desejo de compartilhar informações verdadeiras para o bem público.

Informação e saúde pública

Rádio Vaticano: Este ano, com a pandemia, percebemos o quanto a informação também está ligada à saúde pública, porque a informação correta sobre a pandemia também está intimamente ligada à assimilação de comportamentos que tivemos que adotar. Qual foi o papel da informação neste sentido este ano?

Ruffini: Vamos imaginar como teria sido este ano sem informação. Pensemos nos períodos de confinamento como teriam sido sem a possibilidade de comunicar; como as notícias descontroladas teriam circulado e como este aspecto relacional de compartilhar informações, que faz parte de nosso ser humano, teria faltado.

Por outro lado, percebemos também a quantidade de informações falsas que circularam e também a dificuldade de orientar os processos de informação com relação ao desejo de cada um de nós de querer saber tudo e imediatamente, o que não é tão fácil, porque a informação para ser completa requer tempo.

Responsabilidade dos jornalistas

Ruffini: Como a informação pode nos ajudar a sair da pandemia? Volta ao conceito de antes. A saúde é um bem público. A informação é um bem público. Compartilhar informações precisas e falsificar informações falsas é um compromisso que deve envolver, na era digital, cada um de nós e não pensar que existe a possibilidade de delegar a outros.

Normalmente, desta forma, caminhamos para regimes totalitários. Faz parte da responsabilidade dos jornalistas e também dos leitores. Na era digital compartilhamos informações que muitas vezes não nos damos ao trabalho de verificar e com isso somos talvez portadores “saudáveis” de um vírus diferente da Covid, que é o vírus da má informação.

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Pensar que isto pode ser delegado a um “controlador vigilante” da verdade ou da falsidade das notícias tem seus próprios riscos, que são os de limitar a liberdade de imprensa. Portanto, acredito que a pandemia nos ensina que, para combater a “pandemia da desinformação, todos nós devemos ser responsáveis”.

Papel de mediação

Rádio Vaticano: Também porque é necessário de certa forma “reaprender” a espera entre a notícia do evento e sua recepção. Costumávamos ler no jornal o que tinha acontecido no dia anterior e agora tudo é instantaneamente comentado, assimilado e partilhado em tempo real. Há cada vez menos tempo para esse papel de mediação, que é um dos principais papéis da imprensa.

Ruffini: Devemos sempre verificar o reflexo com a reflexão, isso vale tanto para a imprensa quanto à mídia profissional e eu insisto em dizer “todos nós”, porque somos todos, mesmo os não profissionais, protagonistas deste mundo digital da informação.

Estamos acostumados a não querer esperar pelo tempo que serve, como se a vida fosse um “game on” o um “game over”, tudo muito rápido ou instantâneo, mas na realidade, além da velocidade das notícias, há também a necessidade de uma análise profunda, há a necessidade de verificação. É preciso estar ciente disso.  No final, é necessário que todos aprendamos regras.

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